terça-feira, 27 de março de 2012
Amadurecimento
Aprenda a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar
de quem também gosta de você...
A idade vai chegando e, com o passar do tempo, nossas prioridades na
vida vão mudando... a vida profissional, a monografia de final de
curso, as contas a pagar. Mas uma coisa parece estar sempre
presente... A busca pela felicidade com o amor da sua vida.
Desde pequenos ficamos nos perguntando "quando será que vai chegar?"
E a cada nova paquera, vez ou outra nos pegamos na dúvida "será que?".
Cada namorada (o) era a nova mulher (homem) da sua vida. Faziam
planos, escolhiam o
nome dos filhos, o lugar da lua-de-mel e, de repente... PLAFT! Como num passe
de mágica ele (a) desaparecia, fazendo criar mais expectativas a
respeito "do próximo".
Você percebe que cair na guerra quando se termina um namoro é muito
natural, mas que já não dura mais de três meses. Agora, você procura
melhor e começa a ser mais seletiva. Procura uma pessoa formada ,
trabalhadora, bem resolvida, inteligente, com aquele papo que a deixa
sentada no bar o resto da noite. Você procura por alguém que cuide de
você quando está doente, que não reclame em trocar aquele churrasco
dos amigos pelo aniversário da sua avó, que jogue "imagem e ação" e se
divirta como uma criança, que sorria de felicidade quando te olha,
mesmo quando está de short, camiseta e chinelo. (ahhh, chinelo
nãooooo!) A liberdade, ficar sem compromisso, sair sem dar satisfação
já não tem o mesmo valor que tinha antes. A gente inventa um monte de
desculpas esfarrapadas, mas continua com a procura incessante por uma
pessoa legal, que nos complete e vice-versa. Enquanto tivermos
maquiagem e perfume, vamos à luta... e haja dinheiro para manter a
presença em todos os eventos da cidade: churrasco, festinhas, boates
na quinta-feira.
Mas o melhor dessa parte é se divertir com a galera, rir até doer a
barriga, fazer aqueles passinhos bregas de antigamente e curtir o
som...
Olhar para o teto, cantar bem alto aquela música que você adora.
Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra
pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe
também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama), e que não
quer nada com você, definitivamente não é a pessoa da sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a
gostar de quem também gosta de você.
O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para
que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando,
mas quem estava procurando por você.
Mario Quintana
A gente demora pra aceitar, arruma novecentas desculpas para a falta de jeito do outro. Ah, ele é confuso. Ah, ele está tenso. Ah, ele tem medo. Ah, ele é maluco. Ah, ele isso. Ah, ele aquilo. Desculpa, mas quem quer estar junto pensa: Ah, que saudade. Ah, que falta ela me faz. Quem gosta, gosta. Sem complicações. Sem armações e armaduras.
Tati Bernardi
Antes de julgar a minha vida ou o meu caráter… Calce os meus sapatos e percorra o caminho que eu percorri, viva as minhas tristezas, as minhas dúvidas e minhas alegrias. Percorra os anos que eu percorri, tropece onde eu tropecei e levante-se assim como eu fiz. E então, só aí poderás julgar. Cada um tem a sua própria história. Não compare a sua vida com a dos outros. Você não sabe como foi o caminho que eles tiveram que trilhar na vida.
“Não foi desejo. Nem vontade, nem curiosidade, nem nada disso. Foi um choque elétrico meio que de surpresa, desses que te deixa com o corpo arrepiado, coração batendo acelerado e cabelo em pé. Foi sentimento. Não foi planejado, nem premeditado. Foi só um querer estar perto e cuidar, tomar todas as dores e lágrimas como se fossem suas. A vontade e o desejo vieram depois, bem depois. Não foi um lance de corpo, foi um lance de alma. Não foram os olhos, nem os sorrisos, nem o jeito de andar ou de se vestir, foram as palavras. Uma saudade e uma urgência daquilo que nunca se teve, mas era como se já tivesse tido antes.”
Tati Bernardi
Tá esperando o que? Ele vir atrás e te ligar pra poder te ver, em um fim de tarde? Isso é muito pouco pro que você possa ter e merece. Você é mais lembra? Ah, ele não te disse isso ainda? Mas você lembra daquele gatinho da sexta-feira que te falou com todas as letras isso né!? Então gata, pra que se contentar com pouco se pode ter muito, ou muitos.
Tati Bernardi
"No fundo, mesmo lendo tanto, pensando tanto e filosofando tanto, a gente gosta mesmo é de quem é simples e feliz. A gente não se apaixona por ninguém que vive reclamando e amassando jornais contra a parede. A gente se apaixona por esses tipinhos banais que vivem rindo. E a gente se pergunta: que é que ele tem que brilha tanto? Que é que ele tem que quando chega ofusca todo o resto?"
Tati Bernardi
segunda-feira, 26 de março de 2012
Ele não gosta de cinema europeu. Não sabe o que é crème brulée, De La Guarda e nunca ouviu falar no filme "O filho da noiva".
Ele é estagiário, tem um carro cheio de apetrechos esportivos, acha Frank Sinatra um velho aí, faz questão absoluta de pagar meu almoço com ticket e, sempre que eu elogio uma roupa, um acessório ou um perfume, responde sem pudor: "Foi minha mãe que me deu."
De cada cinco palavras, uma é “irado”, outra é "bagulho" e as outras três podem ser intercaladas com "tipo assim" ou "se pá".
Se essa descrição me fosse feita há alguns meses, eu, que sempre defendi romances com experientes e articulados homens mais velhos, certamente riria e ignoraria tal existência, nem cogitando uma aproximação.
Mas o que seria da vida se o mundo não nos pregasse essas surpresas? Se o mundo não desmentisse nossas verdades absolutas? O mundo é divertido. E por falar em diversão, tenho andado de volta aos meus quinze anos.
Sempre defendi, eu e minhas verdades irrefutáveis, que os homens mais velhos e blá, blá, blá, eram os melhores na arte do acasalamento. Pois muito bem, fique com eles então, porque eu ando satisfeita demais para lembrar que eles existem.
Imaginem a minha felicidade ao ver um casal na mesa ao lado, discutindo incansavelmente a relação a dois, enquanto eu e meu menino discutíamos entre batata frita com catchup e batata frita com mostarda? Sendo que eu preferia a segunda opção e ele a primeira. Esse era o nosso conflito.
No fim acabamos misturando tudo porque, enquanto o mundo adulto pensa, a gente beija, um milhão de beijos para esquecer o mundo.
Ele tem um sorriso sem marcas, de uma doçura sem mágoas. Ele é limpo de dores do mundo. E ainda que isso torne a sua alegria um pouco sem profundidade, faz com que a superfície brilhe tanto que nada mais importe.
Ele anda o dia inteiro pra cá e pra lá, resolvendo seus problemas de estagiário com seu cabelo tigelinha, sua falta de pelos e o rosto mais lindo do mundo. E eu vou junto. O dia inteiro para lá e para cá, o dia inteiro pra frente e para trás enquanto ele vai, o dia inteiro disfarçando enquanto ele vem. O dia inteiro desejando que ele apareça para me dar vida, e que ele desapareça para me dar ar.
Você esqueceria qualquer gíria se prestasse atenção na boca carnuda, dura e bem desenhada que as pronuncia. Você esqueceria qualquer "não sei" se prestasse atenção em tudo que suas mãos, pernas e línguas sabem.
Você esqueceria qualquer colo maduro se prestasse atenção a quantas horas está naquele colo que nunca cansa, que nunca pára, que é tão jovem, macio e forte. Você esqueceria qualquer acalanto intelectual se tivesse suas costas e seus cabelos acariciados por horas, por mãos leves, por intenções leves, por momentos silenciosos jamais despertados por celulares, obrigações e cobranças da vida adulta.
Quando a voz dele, que ainda não é grossa, que ainda não é firme, sussurra para mim tudo o que eu preciso ouvir para me sentir de novo com o meu corpo de dezoito anos, eu sei que aquela é a voz que minha alma precisava. Quando ele sorri desarmado, limitado e impotente, para todas as minhas dúvidas, inconstâncias e chatices, eu sei que é daquele sorriso que minha alma precisava.
Ele não faz muito pela minha angústia existencial, até por não saber. E consegue tudo de mim. Consegue até o que ninguém nunca conseguiu: me deixar leve.
Sabe rir mole de bobeira? Sabe dançar idiota de alegria? Sabe dormir gemendo de saudade? Sabe tomar banho sorrindo para a sua pele? Sabe cantar bem alto para o mundo entender? Sabe se achar bonita mesmo de pijama e olheiras? Sabe ter ânsia de vômito segundos antes de vê-lo e ter fome de mundo segundos depois de abraçá-lo? Sabe não agüentar? Sabe sobrevoar o frio, o cinza, os medos, os erros e tudo que pode dar errado? Ele consegue fazer com que eu me perdoe por apenas viver sem questionar tanto.
Eu quero parar com tudo isso, ele é um menino que não pode acompanhar minha louca linha de raciocínio meio poeta, meio neurótica, meio madura. Eu quero colocar um fim neste tormento de desejar tanto quem ainda tem tanto para desejar por aí. E aí eu me pergunto: pra quê? Se está tão bom, se é tão simples. Ele me ensinou que a vida pode ser simples, e tão boa.
É isso, sei que vocês vêm aqui para ler neuroses, mas estou de férias delas. Umas férias, tipo assim, se pá, iradas.
Tati Bernardi
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